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Turista | s. 2 g | Pessoa que viaja por diversão ou recreio dentro ou fora do país.
Nando vive como turista. Viagens são parte integrante do seu historial. Não só disfruta de ser a pessoa que se desloca de um país para outro como também aproveita cada viagem para “experienciar” o quotidiano local.
Adquirindo cultura viaja em busca de algo que julga resultar num final ambicioso, este incerto, por agora. Arranjando trabalhos sasonais Nando vai adquirindo conhecimentos sobre pessoas, modos de vida, arte e novas experiências. Apanha aviões como se fossem autocarros mas admite preferir as suas deslocações de comboio
Nando acredita ser este o seu caminho e adianta ainda gostar e não querer desfazer-se dele. Segundo este, ser turista pode não ser só uma ambição ou um objectivo.
Pode ser um estilo de vida.Nando, Edgbaston Lake, Birmingham
Miguel Rosa -
dúvida | s. f. | Falta de convencimento. Dificuldade em acreditar. Suspeita. Receio. Objecção . Ponto não decidido ou que se trata de resolver. Crença vacilante. Cepticismo .
São 05:07 e não me sinto como devia, algo me impede de conseguir alcançar o bem-tar que o meu corpo desejara para cada dia . Algo se instalou involuntariamente na minha cabeça, mas o que será? Confusão metafórica que me leva a um estado de incerteza psicológica. Mas o que será? Faço um esforço para alargar a minha compreensão, fazer desse poço imenso a que damos o nome de memória ainda mais fundo para encontrar a água que tanto procuramos. Mas algo me esta a impedir de chegar ao ‘‘ouro’’. De que estou eu à procura afinal? Tudo isto é um causalidade imposta por um grande muro que na sua incrivel consistência nos dificulta a acção de chegar ao objectivo memorial. Muro esse que na extensão, dá-se pelo nome de, Dúvida!
hugo gomes
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criatura | s. f. | Todo o ser criado. Pessoa. Indivíduo. Pessoa inteiramente devotada a outra. Apaniguado.
Oh! Tu ai! Oh criatura inerente e relativa a todo o teu ser! Não sabes que todas as tuas acções são relativas? Todas se resumem a um só propósito? Tu, criatura, adoras criar, criatura… Alem de criar, uma criatura pode ser também algo proveniente de uma criação. Ora, eu criei, se estou a criar, não criei uma coisa, sim, criei uma criatura… Tu criatura… Não tenhas medo de seres quem és, uma criatura… Faz o que desejas e não o que te impõem, estás na idade certa para arriscar, para não teres preocupações de quem pode gostar ou não. O futuro minha criatura, é uma incógnita…
Cria a tua própria criatura, e impõe a tua criação a mais criadores cuja criatividade é discutível…
hugo gomes
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Ascensão | s. f. | Acto! ou efeito de ascender. Estado do que está a subir ou a elevar-se. Passagem a posição ou cargo superior. Elevação de Jesus Cristo ao Céu.Festa que comemora esse acontecimento.
Todos nós temos um intimo desejo de ser alguém na vida. Todos nós queremos ter um estatuto, algo que nos defina na sociedade. Todos nós queremos ser aquela pessoa que se é conhecida por matar a diferença. Todos nós… Uma ascensão continua e de esforço não medido que está num objectivo que por vezes toma um desvio que não era intencional. Degrau a degrau apenas temos de fazer um esforço com que esse degrau se mantenha intacto fazendo com que o próximo seja uma fasquia cada vez mais alta. Para criarmos a nossa própria ascensão profissional na sociedade, temos de perder várias horas, socializar com várias pessoas (influentes ou não), fazer mais inimigos do que amigos, amigos esses que verdadeiros podes escolher pelos dedos da tua mão, e mais que tudo, confiança, tu não escolhe em quem confias, a confiança vem ao de cima. Todos nós gostaríamos de estar no topo, mas para la chegar, há que trabalhar para isso.
Todos nós temos uma escada para lá chegar, apenas temos de arranjar ferramentas para abrir o caminho.
hugo gomes
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dactilomancia | s. f. | Arte de adivinhar por meio dos dedos.
Deixa-me advinhar? Faço figas para não me calhar a mim essa situação inigualável de ser o escolhido, o tal, aquele, o primeiro a enfrentar uma situação de origem embaraçosa em que de repente tudo o que se mexe pára e olha, simplesmente, para mim. Não me apontes o dedo por tentar e falhar é uma virtude, lambo o dedo molhado pela agua contida de suco enquanto disfruto de uma fruta, depois de uma melancia simultaneamente numa situação paralela leio sobre dactilomancia com um vasto campo bonito, velho mas verde por uma janela, à distancia de um simples, e modesto, toque.
hugo gomes
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Descrição | s.f. | Acção ou resultado de descrever; representação pormenorizada de um objeto, ser, paisagem;
Estou a olhar para uma enorme cortina que me preenche a visão e a abaná-la como quem passeia de mãos dadas, de um jeito pueril.
Ocasionalmente tenho relances de um enorme espelho que se esconde por detrás desta e que me revela o que há de errado no sítio onde estou. Sou eu que abano a cortina e que provoco a subita distorção, mas não o faço por mal. Por vezes empurro, afundo as minhas mãos à procura, apenas para descobrir que a outra face do pano não é feita do mesmo veludo que a que vejo. É de uma espécie de mau tecido que se apega ás mãos. Custa-me trazer a sujidade para este lado e limpá-la a quem não vê.
Quando me encontro no meio do que apenas reflectido consigo ver não sou eu que vejo, é algo absoluto, uma espécie de coisa com características. Por norma vejo-me redondo, mas sou o único dentro do que a minha óptica perscruta que não tem linhas rectas de objecto.
Deste lado existo quase imóvel, pouco mais faço que tocar na cortina e mexer os braços em tentativas vãs de agarrar alguém que me cubra os olhos sem más intenções.
Quando estico um braço involuntariamente sinto-me agarrar, mas o que vejo no espelho é a mão a cair antes de atingir o alvo, este mantém-se inerte e ,por osmose, o membro volta derrotado ao único lar que alguma vez conheceu, vigiado por olhares reprovadores de tudo o que se me não é redondo. Quando me esforço por prender logo o espelho me revela que efectivamente agarrei, mas o braço deixou de ser meu. Foi arrancado e anda a ser passeado pela calçada, como um bastão cujo único propósito é magoar.
Ás vezes, poucas, adormeço, fecho os olhos. Aí salto e danço, colho os que me rodeiam num movimento rápido de anca, marcado por um contratempo que só a mim soa familiar. O despertar surge sempre do outro lado da cortina na forma de chapada de vento que a projecta contra mim, deixando-me por momentos para lá da mesma, no mesmo sítio, mas tão mais próximo do reflexo.
Chegando aqui a cortina desapareceu, o espelho não é espelho mas pura luz.David Santos
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Pastilha |s.f.| Pedaço de pasta açucarada, de cores, formas e sabores diversificados.
É a epítome do ser acreditar dar-lhe forma, quando é o sabor que se entranha na minha boca. Eu é que estou a ser mastigado, amolgado por algo que me sabe a efémero e vazio de importância, mas que está cheio da única coisa conheço. Algo que não eu.
Pára para te pensares e mastiga então o mundo com dentes definitivos, saboreia-o com um palato completo e imutável. A verdade do momento - transcendental.Diana Flores
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Trabalho

Estou numa sala escura. Á partida não sabia no que ia entrar, questionei o porquê de algo tão sombrio neste contexto conceptual. Caracteres de diferentes tipos misturam-se com as brancas paredes da sala preta. Uma luminosa projecção reproduz algo que não me é indiferente, nesse preciso momento descontextualizo-me do espaço onde estou habituado a andar e entro nalgo que me inunda a cabeça de pensamentos. Pobreza, fome e guerra são conceitos expostos de forma pragmática, clara e crua, implícitos numa tela cujo custo é superior à alimentação anual de famílias que residam actualmente no SriLanka. Não faz sentido afirmo! Como é possível todo o meu pensamento se focar estes eternos segundos num vídeo? Que impacto está isto a causar em mim?
Faço um esforço para me abstrair do filme observando atenciosamente cada palavra escrita nas paredes. Sonhar, conduzir, pilotar, saltar, fugir, corrida, namorar, foda, escarrar, cocaína, ganzas , beber, viajar, cozinhar, mergulhar, masturbação, são só exemplos vagos do conteúdo total das superfícies brancas da sala. O vinil contradiz a projecção, a minha cabeça volta a acelerar e todas as minhas interrogações regressam de forma banal. Qual a relação entre o vídeo e toda a tipografia espalhada? Sarcasmo é a ideia que me surge em primeiro lugar. Mas por ser a primeira é posta em causa até ser corroborada ou refutada pelo meu (in)consciente.
Tendo-me já focado em dois elementos do espaço, encontro um terceiro. Uma tela de pano velho que no seu centro me ataca literariamente dizendo: “Enquanto tu ESTÚPIDO estás aqui, milhares no mundo estão…”. Após a agressão voltei atrás, entrando numa clara analépse. Formalizei ideias e contextualizei o conteúdo anteriormente visto.
Ao sair foi-me entregue um cartão que mal cabia na mão, no canto inferior direito em escala completamente reduzida, perguntava: “Que fazes tu aqui?”.
Opinando sucintamente sobre todo o ambiente criado, defino a experiência como controversa mas inspiradora. Estamos habituados a lidar perante uma sociedade desrespeitadora, sem sonhos e completamente materialista. As ideias não fluiem e só em espaços como estes pessoas com carácter maturo se conseguem identificar com algo.
É impossível deitares-te e entrares num sonho que definiste à prióri. Portanto quando fores para a cama, antes sequer de pensares que vais sonhar imagina-te em tudo o que poderias fazer/sofrer nos longos anos que te restam.
Decide o teu trabalho consoante a crua realidade que todos os dias enfrentas. Se fosses tu a ir a esta sala de exposição que impacto teria para ti a projecção? E que impacto tinha a inspiradora tipografia?
O que para mim simboliza a totalidade do que vi não importa.
E o que este texto tem haver com a palavra trabalho, na minha opinião é NADA!
Com um grande beijinho de amor,
Miguel Rosa -
vida | s. f. | O período de tempo que decorre desde o nascimento até à morte dos seres. Modo de viver. Comportamento. Alimentação e necessidade da vida. Ocupação, profissão, carreira. Princípio de existência, de força, de entusiasmo, de actividade! Fundamento, essência; causa, origem. Biografia.
A vida é como um livro de ficção cientifica, por cada capitulo que lês acontece sempre mais alguma coisa que parece que não é real. A minha, a tua, a nossa e a de todos, tudo tem um sentido pré-definido desde certa altura, desde quando? Depende de cada um, o sonho de ser astronauta ficou por terra, e o sonho de ser veterinária foi com os porcos. Em certo momento de, pensas que afinal foi má opção e que não te importavas de voltar atrás. Mas não vale a pena, esse momento é apenas um fragmento separado de uma longa corrida que nunca sabes quando chega o fim, mas mais que saber, tens de ter a certeza que vai chegar. E vais perceber que afinal para chegar onde vais chegar um dia, esse momento foi fulcral. Para mim, a incerteza do pensamento futuro é um drama constante, o pensamento presente está distorcido, mas o que faz de mim ter certezas vem de pensamentos tidos outrora que hoje em dia, sim, fazem todo o sentido.
O meu livro tem mil paginas, e eu já vou na mil e uma página!
hugo gomes
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ironia | s.f. | Expressão ou gesto que dá a entender, em determinado contexto, o contrário ou algo diferente do que significa. Atitude de quem usa expressões ou gestos irónicos. Sarcasmo. Acontecimento ou resultado totalmente diferente do que eram as expectativas.
Ironicamente falando, vou ser irónico, nem que seja por um momento a minha ironia vai ser irónica, e se ao ser uma ironia irónica deixa de ser ironia e fica um ironia cuja ironia é irónica? Hoje acordei com a barriga semelhante a um tractor, sentimento omitido de os meus intestinos terem dois nó num só. Mas, senti-me mesmo bem! Fui fazer prática desportiva, melhor, fui jogar á bola, não, futebol! Torci o pé! Que maravilha! Nesse momento, o ponto alto do meu dia, aquele sentimento cujo nome se chama alegria, chegou ao seu auge. Nunca tinha me sentido tão hilariante, com tanta vontade de expressar a minha alegria através de uma gargalhada. Para casa, como fui a conduzir, o dito pé torcido (esquerdo) que perdeu a sua utilidade como pé e, bati com o carro. Além disso, fiquei com a frente toda estragada e o outro carro, com um farol partido. Bem, se até agora me tinha sentido o melhor do mundo, e com uma alegria imensa, depois disto tudo… Logo hoje que tinha deixado de fumar.
Foi o melhor dia da minha vida!
hugo gomes
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Revolta | s. f. | Rebelião contra a autoridade estabelecida; motim; sedição, levantamento.
Tens que te REVOLTAR, não te vais deixar embalar por cantigas que ouves desde que aprendeste a falar. Lenga-Lengas, que fazem o povo parar, não sei como ainda há muitos que continuam a aguentar, feridas que políticos deixam por sarar. É muita miséria, muita fraude cometida por gente galdéria, gente que se acha séria. São burros, insistentes, corruptos! Continuam a gastar palavras em vão, na hora da verdade todos dizem: então? São todos erguidos durante as propostas de cada eleição, recebem os votos e cada um segue a sua ego ambição, pois não são eles que na mesa não têm pão, não são eles que têm a sua mulher na rua despindo-se por 1 tostão, não! no santíssimo dos céus eu não acredito, nem em nenhum texto que o vaticano possa ter escrito. Comandantes da crise, se eu só falasse e não vos visse, mas não é assim, vejo todos os dias, as mesmas teorias, será que esta pouca vergonha vai ter um fim? Só pensam no vosso umbigo, Sócrates hás de me explicar como me licencio a um DOMINGO!!!!!
Tomás Batarda -
Bica | s.f.- Café feito em máquina de pressão e servido geralmente em chávena pequena.
Estou sentada numa esplanada muito agradável. Esta pertence a um dos muitos cafés onde a bica é mais barata no interior do que no exterior. Cadeiras de verga, mesa espelhada e grandiosos chapéus de palha são alguns dos atributos deste local estagnado sobre a mais polida calçada da cidade. Por mim passam famílias, umas alinhadas por ordem decrescente, outras totalmente desiguais, onde a conversa é constante. Porém, há sempre alguém menos falador, que se manifesta nas entrelinhas do debate.
Desvio o olhar. Alguém com meio metro intimidou-me mal percebeu o meu tom observador. Obriga-me a focar toda a atenção nos 10x15 metros onde estou sentada.
Às minhas 3 horas está uma senhora. Perna traçada; cabelo pintado de groselha; sobrancelhas desenhadas com lápis “Zara”, que lhe salta da carteira “Mango”; lábios finos; nariz agulha e óculos suspensos no vértice deste. O seu olhar tem como ponto de fuga uma revista, a “Maria”. Estará centrada no horóscopo ou foi directamente para a secção íntima? Ah, ah, ah, não que eu leia a “Maria”, mas acredito piamente que aqueles que não são militantes da revista, têm maior noção do que esta trata do que os que poupam a bica da tarde para tê-la entre mãos.
Está de saia. Consigo ver a sua meia rendada. Minto, consigo ver a sua liga floreada. Chamemos-lhe Zilda.
Aí vem o seu café. O empregado, de certo novato nas suas funções, trá-lo sobre uma bandeja que treme como se vida própria tivesse. Ah! Derramou a bica sobre a revista. Zilda, levanta-se calmamente e ordena a presença imediata do seu superior. De farda neutra, um senhor de bigode felpudo, aproxima-se.
Ouvem-se longínquos pedidos de perdão. Em causa está a jorna deste jovem trabalhador, cujo ritmo cardíaco deve marcar semi-fusas intermináveis. Será que repreenderá o jovem? Alto, moreno, de cabelos escuros e barba por fazer, pede-lhe novamente perdão.
Suspensa por saltos agulha, está de pé. Que irá dizer? Esboça um sorriso matreiro e solta uma expressão do mais cliché possível, “As desculpas não se pedem, evitam-se!”. Durante esta tenebrosa fracção de segundos, o jovem, por sinal, bem parecido, percebeu de imediato que o seu ganha-pão teria os dias contados. Os seus olhos dançam ao ritmo do seu desgosto e preocupação.
Idiota foi a palavra que acabei de escutar. A dona Zilda está totalmente desgostosa pelo findar da sua empolgante leitura.
O superior tenta intervir pelo seu discípulo, mas em vão. Retiram-se.
Vou saldar a minha divida. Divida saldada, sigo caminho, passo após passo sob influência de uma perpétua gargalhada interna. Passo a explicar. A dita senhora, Zilda, foi presenteada com um café e uma revista nova, “Sábado”. Hilariante, o ar pasmo que esta retribuiu. Ouço atentamente, “Quisemos compensá-la com uma revista mais cara que a anterior”.
Desvio o meu longo pescoço para trás e observo o tom de surpresa que Zilda entoa. Só faltara exclamar “Para que me serve esta pilha de páginas culturais!”.
Surreal será pouco para descrever o delicado e silencioso insulto que o jovem lhe dedicou. De certo que este deve estar em êxtase interior.
Sem dúvida, uma das melhores indirectas que já presenciei.
(Peço desculpa pela não adesão ao Acordo Ortográfico, mas prometo que qualquer dia passa-me a teimosia.)
Sandra Dias Pereira
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mentir | v. intr. | Dizer o que não é verdade. | Dizer o que não se pensa. | Enganar.
Sou muito bom, faço tudo e mais alguma coisa e ninguém duvida das minhas capacidades, e ninguém questiona as minhas acções. O mundo é lindo culturalmente, e tudo corre ás mil maravilhas, a crise é um alvo inexistente aos olhos de todos nós, simples mortais incultos de mentalidade fechada. Não há fome, a África abunda alimentos fornecidos por uma terra fértil e não existe subnutrição nas crianças cujas barrigas estão cheias de um arroto abafado a arroz que transmite satisfação alimentar. O clima está perfeito, o melhor desde há 30 anos, não existem perigos nucleares e a terra, sim, está de boa saúde e recomenda-se. E eu? Sou tão feliz aqui, sou um bom menino, sou… Foda-se! Sou mesmo, sou um mentiroso do caralho! E uso linguagem que retrata a situação. O pais está na merda! A terra já só tem merda, e a merda que é merda, até perde o seu valor. África, deserta de nutrientes, e contaminada com o cheiro a morte e da indiferença vinda do resto do mundo que só pensa na sua barriga, fétida de horror económico. Mundo este que não acaba agora, mas pouco falta. Politica? Que se fodam, cada vez que vem um novo há uma novidade, défices e crises.
Tudo o que vivemos é uma mentira, vives uma mentira e mentes-te a ti próprio que está tudo bem. Controi o teu futuro, não vás nas mentiras dos outros.
hugo gomes
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Palhaço | s.m | eu, tu, ele, nós, vós, eles;
Hoje é dia de festa! todos cospem fogo de artifício, reclamam o que lhes é devido! Hoje sim, vejo toda a gente na rua movida por uma só causa, a sua. Todos se encontram na dor um do outro, o sofrimento é comum e isso une-nos como povo! Um num canto reclama pela baixa reforma a que está condicionado, no outro extremo da sala a luz foca uma jovem que se queixa do estado precário a que a sua geração está condenada!
Todos gritam, todos festejam! Todos podres, todos cepos! Puta que os pariu, saiam à rua e espanquem a primeira pessoa que virem! Todos somos culpados, todos merecemos que nos desfaçam a tromba até ao estado de massa disforme de vermelho e de poça de carne. Se me vires a mim ou à dona rosa do 4o esquerdo espanca-nos, somos ambos culpados pela merda em que andamos a chafurdar. Todos pela defesa da sua causa, a gritar com um sorriso na cara que isto está mal, a sentir a satisfação de não estar sozinho no meio de uma multidão que está tão fodida como tu. Inteira-te. Estás sozinho, o que tu queres não é o que eu quero e o que eu quero não é o que tu queres, estamos sozinhos nesta orgia onde toda a gente vai ao cú de toda a gente, com sorrisos de orelha a orelha, a enrabar enquanto está a ser enrabado.
Nós só vemos o eu e um gigantesco cagueiro à nossa frente,vítima mais que abusada da penetração grotesca a que é sujeito por parte do nosso majestoso caralho, mas lá no fundo sentimos que algo de errado se passa nas nossas costas. Temos todos medo de virar a cara e de ver os nossos pais, as nossas mães e os nossos irmãos a partirem-nos a anilha como se não houvesse amanhã!
Falta-vos raiva! “O medo corrói-vos o cérebro e danifica-vos os comportamentos”! Fodasse edgar, explica-me de que é feita esta gente! É só isto que há para ver?
Declara-te ligeiramente aborrecido com a situação ou com vontade de partir cabeças, agora não saias à rua com um martelo para o passeares entediado.
É o excesso de informação que te contém não é? As notícias do mundo tornaram-se na tua telenovela? sabe-te ao mesmo falar de milhares de mortes compactuadas pelo teu governo como das calças que queres comprar? tudo isto enquanto tomas um café com um amigo? Se encaras ambos os temas com a mesma leviandade e ainda assim estes pequenos assuntos consomem grande parte do teu dia e do teu discurso, desculpa a crueza, mas estás no abismo de uma overdose de informação e de morte cerebral induzida. Afunda-te na tua poltrona e acredita que o mundo que tu vês na televisão e lês no jornal é o teu mundo, um mundo que te é mostrado através de olhos que não são teus e que estão minguados de tanto filtro. Agarra-te com força ás cordas que te prendem ao sofá. Amarrado, mas confortável o suficiente. Diverte-te.
No dia em que se passar algo puro, algo que venha do coração de cada um e que não se regule por comportamentos gastos de alcateia, ninguém se vai olhar nos olhos, toda a gente vai apedrejar e queimar e foder o que tem a foder e acredita que vai ser a melhor sensação da tua vida.
Por sorte ou azar amanhã é outro dia e amanhã sou outro eu…
Carlos Perdigão -

roubo | s. m. | Acto! ou efeito de roubar. Aquilo que se rouba. Preço excessivo.
Sentes-te observado, a loja fica mais pequena e o teu coração ouve-se na esquina no corredor, os teus poros encontram uma porta e de repente lá se foi a calma que terias no pensamento inicial.
Roubo, sintético, inaceitável acção irresponsável. Alternativa viável a uma compra? Porque? Porquê a necessidade de ocultar um pagamento por algo fútil, que na volta é exagerado até, mas que até gostaríamos de levar, mas alguém decidiu que tudo tem um preço, alguém com poder suficientemente influenciável para ter o poder de dar preço a um artigo. E quem? Porquê? Quando e como? Será que foste tu? Eu? A sociedade? Eu não sei, sei, se, acrescentar meros zeros a algo, muda tudo, sim porque um numero faz toda a diferença num simples acto de revolta.
Sentes-te observado, a loja fica mais pequena e o teu coração ouve-se na esquina no corredor, os teus poros encontram uma porta e de repente lá se foi a calma que terias no pensamento inicial… Um roubo minúsculo nada vai influenciar nos roubos que andam por trás disso.
Será que vale a pena?
hugo gomes








